Dados do Trabalho


Título

ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS PARA CÂNCER PULMONAR DE CÉLULAS ESCAMOSAS: O QUE OS BANCOS DE DADOS NOS RECOMENDARIAM

Introdução

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o câncer de pulmão é o mais incidente no mundo, cerca de 2,1 milhões de casos, e apresenta alta mortalidade e baixa sobrevida. O carcinoma escamocelular condiz a 20% dos casos de câncer pulmonar de não pequenas células (NSCC) e está associado à apresentação grave da doença, bem como escassez de tratamento específico. Vale salientar que essa doença é geneticamente heterogênea e que o NSCC tem um maior número de mutações somáticas do que os demais cânceres.

Objetivo

O presente estudo visa analisar dados referentes à ocorrência de alterações genéticas em casos de carcinoma de pulmão de célula escamosa, através do acesso à banco de dados, a fim de identificar os principais genes mutados, a frequência com que acometem os pacientes e os fármacos sensíveis a esses.

Métodos

Trata-se de uma pesquisa quantitativa e qualitativa, direcionada para a análise de mutações somáticas em casos de câncer de pulmão de células escamosas e as terapias aconselhadas para esse tipo de carcinoma. Para tanto, utilizou-se bancos de dados, como Catalogue Of Somatic Mutations In Cancer Database (COSMIC), Genomic Data Commons Data Portal (GDC), International Cancer Genome Consortium Data Portal (ICGC), e Genomics of Drug Sensitivity in Cancer (GDSC) para se obter informações acerca dos genes mutados mais frequentes nesse subtipo de câncer, assim como informações sobre os fármacos relacionados. Outrossim, realizou-se uma pesquisa de caráter bibliográfico exploratório, na qual foi utilizado as bibliotecas virtuais PubMed e Scientific Electronic Library Online (ScieLO). Por se tratar de uma pesquisa sem identificação dos doadores, não foi preciso aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

Resultados

Notou-se uma prevalência de alterações nos genes: TP53, TTN, CSMD3 e MUC16. Todos os genes selecionados apresentam uma frequência relevante, mas fica claro uma discrepância no valores de incidência de cada banco de dados, ao que se refere ao TP53, variou de 49-80%, TTN de 65-81% e MUC16 de 38-50%, enquanto que o CSMD3 de 45-49%. No que tange às terapêuticas específicas para as aberrações genéticas em TTN, CSMD3 e MUC16, não foi possível encontrar dados significativos nos bancos de dados citados. Em relação ao gene TP53, os compostos MIRA-1 e PRIMA-1MET apresentam a via p53 como via alvo, logo são capazes de restaurar a conformação nativa do gene e induzir apoptose em células cancerígenas. Embora ambos atuem por meio de alquilação de grupos tiol, diferem quanto a cinética de indução da morte celular. Quando se compara o uso desses fármacos para o tratamento de carcinoma de células escamosas pulmonar, percebe-se que o MIRA-1 possui uma sensibilidade maior do que o PRIMA-1MET.

Conclusões

Torna-se evidente que dentre as mutações somáticas presentes no carcinoma espinocelular pulmonar, alterações envolvendo os genes TP53, TTN, CSMD3 e MUC16 são as mais prevalentes. Ademais, a falta de dados com relação à terapêutica reflete o desafio de se desenvolver terapias epigenéticas exclusivas a esse tipo de carcinoma. Com relação a abordagem terapêutica considerando mutações no gene TP53, recomendar-se-ia o uso de PRIMA-1MET ou, preferencialmente MIRA-1.

Palavras-chave

Carcinoma espinocelular pulmonar; Mutações genéticas; Terapêutica;

Área

Estudo Clínico - Tumores de Pulmão e Tórax

Autores

TATIANE CARINTA DE SOUZA, Victoria Pereira Costa, Isabela Martins Muller, Ana Luísa Vicente Mendes